Direção: José Alvarenga Jr.
Roteiro: Marcelo Saback
Elenco: Lília Cabral (Mercedes), José Mayer (Gustavo), Reynaldo Gianecchini (Theo), Cauã Reymond (Murilo), Alexandra Richter (Monica)
Divã conta a história de Mercedes (Lilia Cabral), uma mulher de meia idade que resolve procurar um psicólogo para falar sobre sua vida, não por que estivesse triste como ela mesmo comenta no filme mas para conhecer-se melhor.
Baseado em uma peça de teatro, o filme conta com diálogos bem construídos, um elenco afiado e um trabalho de direção de arte contido porém muito bem feito e um roteiro irregular que oscila demais entre a realidade da vida e a tentativa de comédia constrangedora.
O filme funciona como uma história sobre amadurecimento, não o amadurecimento de seriedade acerca da vida e sim o aprendizado da vida, de saber rir e principalmente no caso de Mercedes chorar da vida e se emocionar.
Na história Mercedes é casada com Gustavo (José Mayer) o homem que segundo ela, “Estava casado comigo antes do casamento”, desconfiada de que ele tem um amante e após ter iniciado a terapia, Mercedes também começa um caso, com Theo (Reinaldo Gyanecchini), um aventureiro solteiro e mulherengo que se apaixona pelo jeito aventureiro de Mercedes e através dos acontecimentos deste novo amor na sua vida e com ajuda da inseparável amiga Monica (Alexandra Richter), Mercedes embarca nessa viagem de autoconhecimento e aprende a desfrutar do lado emocional na vida.
Este conflito razão x emoção é o que norteia toda a narrativa do filme, Mercedes é razão, é lógica, é entender que sexo não precisa de amor e envolvimento, enquanto sua amiga Monica é diferente, ciumenta e emotiva, Monica se declara como sendo uma mulher a moda antiga, que sonha em viver a vida em torno e a “serviço” de um homem, que sonha com um amor, um principe encantado e que toma as decisões da vida baseada no seu coração. Indepentende das suas diferenças estas mulheres se completam e crescem juntas na vida e ao longo da trama.
Contando com um figurino que exemplifica o conflito racional x passional do filme, é interessante como a direção de arte emprega cores para exemplificar este comportamento, Mercedes só usa azul claro, cor neutra, sem emoção e nem mesmo brilho, enquanto Monica usa o vermelho, paixão e intensidade. Esta escolha interessante é visível somente no elenco feminino, é demonstrada como uma parede ao fundo quando ambas falam de sexo e pela roupa de Gustavo quando conta a Monica que esta namorando.
É interessante notar também o papel do divã e do psicólogo no filme, o rosto e a voz do psicólogo nunca podem ser escutados, o que da uma nova perspectiva para o conceito de personagem falando diretamente ao publíco. Como o médico fica sempre no escuro, de costas para nós ele pode ser muito bem ser alguém assistindo o filme, portanto divã não é parte do cenário mas o filme em si, mais metanlíguistico e interessante impossível.
Mas então por que o filme é irregular se demonstra tantos aspectos interessantes? Pelo simples fato de tentar fazer rir quando na verdade ele deveria ser somente verdadeiro ou melhor dizendo, real. Se no filme é engraçado ver a discussão de Mercedes e Gustavo durante o jogo de futebol (fato comum em 11 entre 10 casais), é muito desconfortável e completamente fora do clima ver a cena vexatória da balada quando ela reencontra Theo ou quando ela pede conselhos à filha de Monica.
Apesar desta pequena falha no roteiro, Divã é um importante passo para a industria nacional de cinema, por dar seguimento ao sucesso de publico aos nossos cinemas e por mostrar o carisma de Alexandra Richter e principalmente Lilia Cabral, que parece descabida de qualquer traquejo global na produção e se entrega ao filme de forma apaixonante e posso dizer linda. Interessante também é a boa atuação de José Mayer e de todo elenco, de Cauã Reymond a Gianecchini.