Cinemarte

Mesmice

FORA DE RUMO – DERAILED (2006)

 

Diretor: Mikael Håfström

 

Elenco: Clive Owen, Jennifer Aniston, Vincent Cassel, Melissa George, RZA

 

Cotação Verde:

 

Analise: Quinta-feira, dia bom para filminho de cinema, e la fui eu ver uma comentada atuação de Jennifer Aniston (Dizem por aí, Quem quer ficar com Polly) como Lucinda Harris, no thriller Fora de Rumo.

 

A história conta sobre um casal casado ( não um com o outro) que depois de um encontro casual no trem, criam amizade, cumplicidade (repare na cena onde Charlie não conta algo importante para mulher mas conta a Lucinda) e logo se tornam amantes, mas na primeira noite de amor dos dois, ambos são assaltados e o homem, Charlie, vivido por Clive Owen (Rei Arthur, Closer, Sin City) começa a ser ameaçado.

 

O filme é bom, atuações boas do casal de protagonistas e do vilão Vicent Cassel (Irreversível, Doze homens e outros segredos), mas tem aquela velha historinha de “surpresas” em thriller que todo mundo conhece, o bom do filme é a reviravolta, e até mesmo a violência que o vilão agride Charlie, é um vilão inteligente, que quase não se deixou ser pego por burrice ( dois pequenos deslizes, mas não diria que são do vilão, mas sim do roteirista preguiçoso que precisava dar os meios de vingança para Charlie)

 

O filme se salva basicamente na interpretação dos protagonistas, principalmente Vincent Cassel, pois o roteiro é fraco, cheio de clichês e bem furado.

 

Vale para um filminho de passa tempo... e só... nada que vai deixar ninguém fora do rumo.

Melhor filme ou momento??

OSCAR 2006 - MELHOR FILME

 

O que dizer do Oscar desse ano????

 

Não vou cair no lugar comum de dizer quem deveria ou quem não deveria ter ganhado, não vou falar em votos políticos ou de “situação”, mas quero falar da premiação.

 

ALGUEM REALMENTE ACHOU QUE OS SEGREDOS DE BROCKEBACK MOUNTAIN GANHARIA?

 

Por que realmente eu não achei isso nem por um minuto...

 

Não que o filme não seja bom, ele é, é sufocante, triste, depressivo, mas é um excelente filme, não sei se merecia ganhar, se dentre os 5 (não vi ainda Crash e Boa noite e boa sorte) era o melhor, mas mesmo se fosse, alguém realmente achou que ele ia ganhar???

 

Por que por mais que a Academia queira mostrar que é moderninha, ela é na verdade, formada por senhores de pensamento antigo, meio atrasado, que prega a igualdade racial, mas parece que não a sexual.

 

Mas o que eu defendo nesse filme, é que o premio tenha sido dado ao melhor filme, não sei se essa foi à intenção dos “velhinhos do Oscar” mas não acho que o filme deve ser votado pelo momento, para que o Oscar defenda a união dentre pessoas do mesmo sexo com um premio de melhor filme, o Oscar tem que defender o que eles consideram o melhor filme, independente de necessidade da premiação no contexto mundial.

 

E se pensarmos no contexto mundial, o único de caráter irrelevante é Capote, ou alguém ai acha que não existe mais terrorismo, política do pânico, preconceito racial e sexual no mundo????

RODA GIGANTE

MUNIQUE - MUNICH (2006)

 

Diretor: Steven Spielberg

 

Elenco: Eric Bana, Daniel Craig, Ciarán Hinds, Mathieu Kassovitz, Hanns Zischler, Ayelet Zorer, Geoffrey Rush, Gila Almagor, Michael Lonsdale, Mathieu Amalric, Lynn Cohen, Moritz Bleibtreu, Marie-Josié Croze.

 

Cotação Verde:

 

Analise: Apesar de um fã incondicional do trabalho de Spielberg, reconheço que os filmes dele nunca tocaram fundos em relações políticas, já tratando de algumas polemicas (A cor púrpura, A lista de Schindler, Amistad), mas nunca “colocando o dedo na ferida” de uma política atual, sempre se guardando ao passado.

 

Mas então veio Munique.

 

Munique retrata  a retaliação Israelense ao atentado cometido nas olimpíadas de 1972, na cidade que da nome ao filme, onde a ação terrorista, e uma “ação” policial desastrosa resultaram na morte de 9 atletas israelenses, na Vila Olímpica e no aeroporto da cidade.

 

O filme não é um filme de ação, não existe herói, nem vilão, nem mocinho, nem bandido, todos estão “errados”, todos estão “certos”, o filme mostra a reação em cadeia que um ato de violência pode causar, e como esse circulo se torna mais sangrento a cada ato, sendo esse ato um míssil disparado por Israel (somente comentado, um ataque a uma olimpíada, ou assassinatos).

 

Munique ainda é cheio de diálogos com duplo sentido, que nos puxam de volta a história, inclusive nos momentos felizes, mostrando que o mundo que as personagens estão vivendo é um mundo sem sentido, de vida dupla, como ao congratular o protagonista Aven (Eric Bana, de Hulk e Troia) um outro personagem no minuto seguinte o parabeniza pela morte de uma das vitimas.

 

O filme deixa muito desse duplo sentido no ar, já que não da provas as suas personagens se os atos terroristas (sim, entre os ocidentais existe o terrorismo também) são realmente justificados, se as pessoas mortas realmente são merecedoras de morrer, ou se a causa do “outro lado” também não é justa, por isso os méritos desse filme, ele não separa o ocidente e o oriente, ele na verdade nos une, e mostra que um ato de violência é violência em qualquer lugar, e que em qualquer lugar ele não vai trazer solução nenhuma.

 

 

Egocentrismo na altura de um Oscar

CAPOTE - CAPOTE (2006)

Diretor: Benett Miller

Elenco: Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Clifton Collins Jr.; Mark Pellegrino; Bruce Greenwood; Chris Cooper; Amy Ryan; Bob Balaban

Cotação Verde:

Analíse: Não gostei de Capote...

Simples assim, mas olhando para o número de estrelas no topo desse
comentário você deve estar se perguntando como alguém não gosta de um filme
e coloca 5 estrelas nele, a explicação vêm a seguir.

O Filme Capote incorpora o período de criação do livro mais famoso do
escritor Truman Capote (Phillip Saymor Hoffman – Quem quer ficar com Polly,
Dragão Vermelho...), A Sangue Frio, onde ele conta a história real do
assassinato de uma família do Kansas, através de pesquisa no local com
envolvidos e com a dupla de assassinos, principalmente aquele que Capote
considera o mais humano deles, Perry Smith.

Auxiliado por Harper Lee (Catherine Kernner – Quero ser John Malkovich),
Capote acompanha todo o processo de julgamento, auxiliando os suspeitos com
um advogado indicado. É a partir daí que você pode escolher se gosta ou não
de Capote, mas para tanto devo indicar que essa critica pode conter material
que conte muito a história do filme, se você não liga, e já que o filme não
é um mistério, leia por sua própria conta e risco.

Capote, faz um paralelo interessante com Perry Smith, comentando que eles
parecem irmãos que cresceram na mesma casa, sendo que Capote saiu pela porta
da frente e Perry pela porta dos fundos, e os dois no decorrer da história
tem a mesma (ou pelo menos similar trajetória).

-Perry – Invade a casa da família no Kansas, faz extrai o que quer da
família, faz falsas promessas, assiste a morte da família e se arrepende do
que fez, levando a amargura para o resto da vida.

-Capote – Invade a vida de Perry, extrai as informações para seu livro, faz
falsas promessas e alegações, assiste a morte de Perry e se arrepende do que
fez, levando amargura para o resto da vida.

Com um elenco afiadíssimo, excelente interpretação de P. S. H., esse filme
vem sendo aclamado pela critica americana e concorre a inúmeros prêmios, mas
como não conheci Capote, para mim mostra somente um gênio egoísta, mesquinho
e egocêntrico, que necessita estar em evidencia (outra coisa similar com
Perry) e sempre aparece como o centro das conversas em festas ou eventos.

O filme Capote e talvez não fizeram eu gostar de Capote, mas de apreciar o
caminho de redenção que o filme nos mostra, mas não de Perry, e sim de
Capote.

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